quarta-feira, 25 de abril de 2012

Filho de peixe?


A notícia recente nos telejornais é o acidente envolvendo Pedro, o filho do cantor Leonardo. Isso mesmo, ele é muito mais lembrado como filho de fulano de tal do que como cantor. 

Um dia ele já foi famoso, apareceu em todos os programas dominicais, mas todo o jabá e influência de Leonardo não foram suficientes para mantê-lo no topo. 
                           
                                                                                                                                   Crédito: Divulgação


Antes do acidente, ele fez um show para 200 pessoas! 200! Faltou talento, carisma e uma pitada de sorte, afinal gente com muito menos talento que ele ainda aparece em tais programas e faz shows para um número muito mais expressivo de pessoas.

Ele é só um exemplo. Temos outros por aí.
Já ouviu falar no filho do John Lennon? O Sean? Tem outro, ainda mais “invisível”, o Julian. Pelo jeito, ambos puxaram ao talento de suas mães. Algo que beira o inexistente e flerta com o sumariamente conceitual. E isso soa até meio incoerente, pois de todos os filhos dos ex-beatles, o mais virtuoso é o de George. Dhani Harrison contribuiu na finalização do último álbum do pai (lançado postumamente em 2002), tocou com o Eric Clapton durante o “Concert for George”, uma homenagem musical para o ex-Beatle. Ultimamente, ele está ao lado de Ben Harper, com o projeto Fistful of Mercy, que rendeu o agradável álbum As I Call You Downem 2010. 
Outro sarcasmo do destino, se assim pode se dizer, é que o menos reconhecido de todos é o filho do Paul McCartney. Mesmo atuando como instrumentista ao lado do pai, e deixando sua marca em dois álbuns do daddy sir - Flaming Pie (1997) Driving Rain (2001), James McCartney ainda não decolou.



Exemplo ainda é o Jakob Dylan, filho de ninguém mais ninguém menos que Bob Dylan, também não foi lá essas coisas com asua banda Wallflowers. Ele teve um super apoio da MTV, teve um single de sucesso (Three Marlenas), mas depois disso: mais nada. Houve esboços de um retorno, mas nada até agora.

No Brasil temos a Preta Gil, muito mais reconhecida pela sua possibilidade de entretenimento e polêmicas (?), do que propriamente pelo seu talento artístico como cantora e interprete; bem diferente de seu pai, Gilberto Gil, um sinônimo de MPB.
Beto Lee é outro exemplo. Hoje ele trabalha no Multishow, mas antes, saiu em turnê com a mãe (Rita), e se mostrou bom guitarrista, mas não convenceu quando saiu em carreira solo em busca de um resultado mais autoral.

Os irmãos Simoninha e Max de Castro também não fazem tão bonito quanto o pai, Wilson Simonal (maior nome na música pop dos anos 1970), principalmente quando o assunto é simpatia, humor e improvisação no palco. O mesmo, nas suas devidas proporções, acontece com Davi Morais (filho de Morais Moreira), Luiza Possi (filha de Zizi), Fiuk (filho de Fábio Jr.) e Wanessa (filha de Zezé di Camargo).

Temos os bons exemplos de Maria Rita (talento genético ou cópia – eis a questão!), Martinália (filha de Martinho da Vila), Gonzaguinha (filho do inquestionável Luis Gonzaga), Bebel (filha de Miucha e João Gilberto) já em carreira internacional, Jairzinho e Luciana Mello (filhos de Jair Rodrigues) e a talentosíssima Nana (filha de Dorival Caymmi). Mas esses não conseguem apagar a maioria dona de um talento pífio em busca do estrelato. Para ser artista é necessário mais, e não necessariamente ser filho, porque isso todo mundo é. 

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Ele é o rei


Quando se está apaixonado, todas as músicas de amor fazem sentido; e o Brasil é um país construído com canções românticas e pra lá de açucaradas. Nós praticamente nascemos cantarolando o amor em seu estado máximo.



O primeiro ídolo jovem da cultura brasileira, Roberto Carlos, é a essência de todo esse conceito. Aliás, ele e todos os outros pop da jovem da guarda foram os primeiros a utilizar da Indústria Cultural para promover um comportamento e uma moda em detrimento de uma análise mais aprofundada sobre a realidade de um país que passava por grandes transformações nos anos 1960/1970.

Músicas de protesto eram silenciadas pelo tamanho da minissaia da Wanderlea, ou pelas provocações de um Roberto Carlos rebelde. O que importava era dançar e não pensar (não muito diferente de hoje – mas em tempos pós-modernos temos mais alternativas. Antes era só rádio, TV e olhe lá).

Os anos passaram, os ânimos esfriaram, as mudanças políticas já não eram tão intensas e toda a rebeldia deu espaço ao romantismo com pitadas de breguice. Tudo bem anos 1980. E talvez seja esse o trunfo de Roberto Carlos em relação ao ultra-romântico Julio Iglesias. O nosso rei tem seu lado brega, mas sem afetação. Parece ser gente como a gente, cantando sentimentos próximos à realidade de qualquer um.

Seus TOC’s e mistérios fazem parte de toda essa áurea, que ele veste sem coroa.
Se Elvis é rei do rock, Michael Jackson é rei do pop, Roberto Carlos é rei de que?
Seu perfil, assim como sua trajetória musical, não cabe em categorias e justamente seja essa a responsável por sua majestade.

Acredito que para dimensionar seu poder, deva-se conhecer a fundo toda obra de Roberto Carlos, ir a seu show e não se limitar aos patéticos especiais de fim de ano da Globo. A relação de amor que os brasileiros estabeleceram com Roberto Carlos não tem explicações, mas consequências - não só para a MPB, mas para os últimos 53 anos do Brasil. Sua música se confunde com nossa história. 

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Foo Fighters no Lolla


Comparando com o set list que eu exibi por aqui em novembro, o último sábado no Lollapalooza foi completamente diferente, mas dessa vez não fico chateada pelo erro, mesmo porque foi uma expectativa e em momento nenhum uma confirmação.


Lendo as matérias que saíram sobre o show, pude constatar também que nenhuma conseguiu dimensionar o tamanho e a energia que o show foi. Também não tenho essa pretensão, porque me satisfaço ao lembrar dos momentos, das músicas, da troca de energia inexplicável e do show irreparável.



E parafraseando Cléber Machado, vamos a algumas conclusões:

“A voz de Dave falhou em alguns momentos? Sim. Isso fez com que o show fosse ruim? Não. Os críticos muitas vezes querem valorizar o “erro”? Sim, porque hoje em dia o mundo inteiro valoriza o erro. Ou não.

Na mesma linha de raciocínio, vale lembrar que o mesmo Dave Growl foi o cara que deu altos gritos no começo do show. Parecia que cisto na garganta não existia, mas sim uma vontade enorme de interagir com aquele público imenso que esperava por eles (aproximadamente 75 mil pessoas). Não parecia um festival, mas sim várias bandas que abririam para o grande concerto da noite: Foo Fighters.

A interação aconteceu do começo ao fim, seja com conversinhas, com solos de guitarra, gritos ou brincadeiras pelo telão na hora do biz. Se alguém foi ao show só para acompanhar, virou fã; se alguém já era, agora idolatra a banda. Foi um show memorável e inesquecível.  Foram duas horas e meia intensas e igualmente maravilhosas. Não tenho palavras para caracterizar, mas posso comparar ao meu primeiro voo de asa delta. Lindo e fabuloso!

PERSONAGENS QUE FIZERAM PARTE DESSA HISTÓRIA:

Rafael: O mais amigo de todos, e o mais antigo também. No meio de tanta desorganização, ele sempre participou da missão “Vamos ver FF”. Sem ele não conseguiria comprar o ingresso. Para isso, ficamos em filas virtuais malucas e sem fim. Ele até chegou a desistir. Depois de eu descobrir um jeitinho de entrar automaticamente no pedido de ingressos, liguei para ele às 4h para que a compra fosse de fato efetivada. Amigo mesmo! Fã mesmo!
Quando fui fazer o depósito para ele, minha mãe me perguntou: você confia nele? Eu respondi: Lógico! Só depois eu entendi o porquê da pergunta. Ele poderia nem ter comprado nada, eu fazer o depósito, ele sumir. Era uma possibilidade, mas em momento algum isso passou pela minha cabeça. Só o contrário: poxa, como o Rafa confia em mim. Eu poderia sumir e não pagar, ir ao show enrolar e não pagar... Tenho certeza que isso não passou pela cabeça dele também. Uma palavra sintetiza tudo: amizade.
Amizade e presteza. Rafitz também foi peça fundamental para acharmos o perdido na multidão, Fern.  Eu acho que estou em eterna dívida com Rafael, por tudo que ele já fez por mim e ainda faz. Depois de tantas mensagens DDD via celular, vejo que a dívida agora também é monetária .

Fern: Nossa amizade é um tapa na cara de muita gente por ai. E eu adoro isso. Foi ele quem agilizou o transporte para nós todos, mas esqueceu de agilizar o lado dele e esqueceu de imprimir o comprovante de pagamento para pegar o ingresso na hora. Paramos no shopping porque os ônibus poderiam ir só até aquele trecho. Lá, encontraríamos uma lan house para imprimir o documento. E cadê a dita cuja no shopping? Não tinha! Fomos numa copiadora que cobrou muito bem cobrado pelo serviço. Ele esboçou uma cara de choro misturado com será que eu pago tudo isso? “Vai e imprima isso já!”, falei com os olhos. Impressa as folhas, fomos ao encontro dos demais para o almoço. Depois da breve digestão, fomos ao ônibus que nos levaria ao Jockey. Lá nos deparamos com um povo doido com as plaquinhas de “OH!”, que seriam utilizadas na hora de Best of You. Eles estavam tão animados quanto crianças na primeira excursão para o zoológico. Tudo nesse momento era mais real e fazia mais sentido. Nós estávamos indo mesmo para o show! Chegando lá, nos separamos devido ao tamanho imenso das filas. Fern pegaria o ingresso em outro lugar, e depois nos encontraríamos na fila da entrada. Não deu muito certo. A criança se perdeu. Mas no momento certo nos achamos. Na ida falamos tanta besteira, que nem me lembro uma ordem lógica da nossa conversa, mesmo porque não teve.
Os principais tópicos foram: atravessar coelhos, escrita árabe, cobra naja, titanic, Leonardo di Caprio, silver tape, camelos, paternidade, maternidade, gelatina, body shot, etc etc.

Gustavo e Ricardo: Com esses nomes já dá para imaginar: irmãos. Mas subvertendo todas as expectativas sertanejas, eles representavam o Tíbio e Perônio do Rock. Primeira vez que vi os dois. Eles foram os responsáveis por guardar os lugares. Eles ficaram perto da grade, próximo ao telão do lado direito. Um lugar ótimo. Tivemos uma visão privilegiada do telão. Quando Dave Growl dava suas corridas de um lado ao outro do palco fomos agraciados com as risadinhas e tchauzinhos do vocalista mais simpático que já vi na vida. Em um momento em que o Fern me levantou tenho certeza que ele me notou e deu uma risadinha. Na hora de se despedir, ele deu um tchau geral, e quando já estava indo para a outra ponta, se virou para dar um tchauzinho para nós. Na volta, mais uma vez Ricardo nos salva. O ônibus já estava saindo sem Rafael, Karina e eu. Salve os dois irmãos mais queridos da noite!

Karina: Namorada do Rafa. Eu a conheci naquele momento, assim como Gustavo e Ricardo.  A companhia feminina do show. Alguém que me entendia quando o assunto é “não quero ir a esse banheiro nojento”. Ela ficou quietinha, mas gostou bastante do show. Na verdade, eu que fui a exagerada e gritei do começo até o fim. Ela também foi levantada pelo Rafa em um momento e nós duas pudemos ver Dave Growl bem de perto. Foi nosso momento mais legal.

Fern, Suziê, Karina e Rafael minutos antes de o show começar


Suziê, Karina, Ricardo e Gustavo só na expectativa

Resumo: valeu a pena todo o esforço, toda essa saga. E recomendo. Esse deve ser o tipo de coisa para se fazer antes de morrer: ir a um show que se espera por anos e anos, de sua banda favorita, e gritar até não poder mais, pular, chamar atenção do vocalista, tudo que se tem vontade. Se for acompanhado de pessoas tão especiais, como foi no meu caso, beira à perfeição. Valeu cada centavo e faria tudo de novo. Mesmo na lembrança, aqueles momentos deixarão saudades.     


sexta-feira, 6 de abril de 2012

Adolescência e outras alegrias


Dias atrás vi um post de uma querida virtual, que sempre me deixa comentários animadores, que me fez pensar e repensar sobre várias coisas. Uma delas foi a minha relação com a música durante a minha adolescência.
                                                                                                imagem:Redação SRZD

Gostava muito de Paralamas, Titãs, Cidade Negra e odiava na mesma proporção Legião Urbana e rodinhas de violão, mas e se fosse hoje? Do que eu gostaria? Impossível responder o que eu faria com 15 anos, porque não penso mais como aquela guria que dobrava a calça abaixo da cintura para driblar o estilo "saintropeito", mostrando a barriga, no Colégio Estadual do Paraná, no início do século passado.

No tempo em que menininhas deslocavam o maxilar de tanto gritar pelos Backstreet Boys, N’Sync e outras boys bands, gostava de Red Hot Chilli Peppers, Lenny Kravitz e Foo Fighters.


Aliás minhas primeiras aquisições por conta própria foram os CDs do Kid Abelha (hoje em dia meio sumido, é verdade) e Alanis Morissette. Eu me orgulho disso. Tinha 15 ou 16 anos, e não me rendia à Indústria de massa. “Pura Rebeldia” embalados com rock, R&B, reggae e cheirinho de incenso, mesclados com livros de José de Alencar, Machado de Assis, geografia, física e por aí vai. 

Mas como todo mundo tem seu lado negro, eu também me rendi a algumas modas ridículas do tipo “dança da bundinha” e por aí vai, quando tinha 11...12..13 anos. Teve um período que gostava de pagode fuleiro e até cheguei a comprar aquelas fitinhas que vendiam nas lojas de R$1,99.  Faziam parte da minha mixtape Negritude Jr. (antes de Netinho mostrar seus dotes de Mike Tyson), Exaltassamba (no tempo do Chrigor), Molejo (dancei muito a dança da vassoura...rsrs), Katinguelê (cantei muito "lua vai...."), e Art Popular (que fazia um trabalho mais consistente, chegando a conquistar a MTV, que lhe garantiu um acústico. A banda ainda continua,  mas o que chama atenção é o trabalho de percussão de Leandro Lehart, ex-vocalista. Antes de torcer o nariz, conheça. É muito interessante). 

Nani, Quantas vezes, Nani/ eu te desenhei num papel de pão (www.leandrolehart.com.br) 

Acho que gostava de alguns estilos musicais porque não tinha opção, nem repertório para escolher algo diferente. Ouvia música de rádio e televisão. Não tinha acesso à MTV, e nem internet tinha. Por outro lado, acho louvável ter ouvido música brasileira. Ela de algum modo nos representa detalhadamente - tanto que representou um momento da minha vida. As letras faziam o maior sentido para mim, ou então eram divertidas, feitas para “chacoalhar o esqueleto”.  Hoje eu procuro sonoridades novas, porque sou diferente daquela menina de quinze anos atrás.

Há também o caso de encontrarmos músicas, artistas, bandas e sons quando somos mais velhos, nos apaixonarmos, e vermos que aquilo aconteceu durante nossa adolescência e deixamos passar sei lá por que. Como o caso da minha amiga Simone, que está in love pelo Nirvana, em especial pelo Kurt Cobain, 18 anos depois que a banda acabou. Acontece. Talvez hoje as músicas deles façam mais sentido do que anos atrás para ela. Tudo depende da intenção e do repertório de quem ouve música. Nunca é tarde demais para se identificar. Eu conheci Café Tacuba tarde demais também (embora todos os integrantes estejam vivos ainda..rsrs).

Meat eating orchids forgive no-one just yet/ Cut myself on angel hair and baby's breath


E da água para o vinho, há também quem faça música na adolescência, para nooooossa alegria...


(Inevitável não citar o sucesso) Adorei os sorrisos! A Suelen é o máximo. 
Quem não tem uma amiga assim? 
Vídeo perfeito, mas não acredito em sucesso duradouro...
Você viu isso?  Trio Para Nossa Alegria assina contrato com a Pepsi

Depois dessa, bom feriado a todos!

sexta-feira, 23 de março de 2012

Brit requentado

Eu lembro de já ter visto as roupas, os shows, mas não postei nada por aqui...e parece que ninguém sentiu falta.
Ou o Brit Awards não é assim tão considerado por essas bandas, ou é meu blog que...bom, deixa pra lá...
Ontem a TNT exibiu o evento que aconteceu 21 de fevereiro na íntegra sem aqueles comentários impertinentes que não acrescentavam em nada à atração.
Os shows foram medianos, assim como todo o evento. Pareceu um Grammy requentado, com ingleses famosinhos e outros "estrangeiros" convidados.
Aos vencedores o troféu coloridinho:

Melhor Artista Solo Masculino Britânico

James Blake
Ed Sheeran (Vencedor) se você não conhece, vale a pena...

 
 Melhor Artista Solo Feminina Britânica
Adele (Vencedora)

 
Revelação Britânica
Ed Sheeran (vencedor)

Grupo Britânico
Coldplay (vencedor)

Single Britânico
Adele - Someone Like You
Ed Sheeran - The A Team
Example - Changed The Way You Kissed Me
Jessie J ft Bob - Price Tag
JLS ft Dev - She Makes Me Wanna
Military Wives/Gareth Malone - Wherever You Are
Olly Murs ft Rizzle Kicks - Heart Skips A Beat
Pixie Lott - All About Tonight
The Wanted - Glad You Came
One Direction - What Makes You Beautiful (vencedor) boy bad por boy band, sou mais a dos anos 1990/1980 e as estadunidenses...os ingleses ainda não se aperfeiçoaram nessa técnica pop. Vocês lembram do Westlife? Pois é, britânico...
  
Álbum britânico do ano
Coldplay - Mylo Xyloto
Florence & The Machine - Ceremonials
PJ Harvey - Let England Shake
Adele (vencedora)
  
Artista solo masculino internacional
Bruno Mars (vencedor)

Artista solo feminina internacional
Rihanna (vencedora)

Grupo Internacional
Foo Fighters (vencedor)

Revelação Internacional
Lana Del Rey (vencedora) ela manda bem nos vídeos, no estúdio, até vende uma imagem bacana, mas ao vivo ela não engana não...é muita produção, ar blazé e pouco talento. 


Prêmios especiais: 

Contribuição à música: Blur

Escolha da Crítica:
  
Produtores Britânicos:
Ethan Johns (vencedor) (ele já trabalhou com Kaiser ChiefsKings of LeonRyan Adams, entre outros)
Paul Epworth
Flood

quinta-feira, 22 de março de 2012

Eike Vergonha!

Quando a imitação é mais importante que a versão original, podemos sempre nos deparar com sérios problemas. Pode-se dar a desculpa de embriaguez, mas o mais legítimo certamente é a falta de conhecimento com grandes salpicadas de “eu sou o jornalista mais fod@ do mundo” com “Eike como sou influente”.

Na última terça-feira, começou a circular um vídeo em que o jornalista estadunidense Jason Mattera entrevista o Bono Vox (U2). Ele coloca-o em uma sinuca de bico com perguntas do tipo por que U2 não paga impostos sobre os royalties da banda, e aproveitou o ensejo para fazer outras perguntinhas marotas para rechear o seu livro “Hollywood Hypocrites ("Hipócritas de Hollywood", em inglês).

mas...bem, não era o Bono...



Já vi gente confundir Requião com Rafael Greca, nos tempos em que era estagiária do Governo do Estado do Paraná. Na verdade já vi um bocado de situações jornalísticas que me deram a maior vergonha alheia do mundo, mas o pior sempre está por vir.


Greca e Requião. Separados na maternidade (ou não) Crédito:fabiocampana.com.br

No período em que atuei brevemente (por motivos óbvios) em um jornal de bairro, foi “ao ar”, digamos assim, a foto que por si só nem merece legenda. Ela fala por si só.

Rodrigo Reis (filho da vereadora Julieta) com o Bono (?)

Existe motivo maior para entrar na gráfica e gritar “Parem as máquinas!”?

Mais tarde fiquei sabendo pelo dono do jornal que o próprio Rodrigo enviou a foto para à redação, a fim de que ela fosse veiculada (tanto que foi).

#ficaadica:
Se você realmente trabalha com música, você sabe quem é Bono Vox.
Se você é jornalista (não interessa a área), tem mais do que a obrigação de saber!
Se você gosta do cara, admira, você conhece; mas tirar foto por tirar, só para falar “eu estava lá” ou pior “eu conheço” é muito feio! 

quarta-feira, 14 de março de 2012

Continuação de uma história de amor

Eu sou muito melhor descrevendo os outros que a mim mesma. Sempre fez mais sentido contar histórias que aconteciam ao meu redor, porque de algum modo eu também fazia parte delas. Era o meu olhar que estava ali interagindo, sendo o quadro fotográfico da ação. Era o meu recorte, mas sem a brincadeira de telefone sem fio.



Não que eu fosse uma criança blazé ou daquelas que são alheias à graça que só a infância permite, mas sempre fui mais madura contrariando minha própria idade. A brincadeira sempre alcançou outros limites e promoveu novas descobertas em um tempo que o relógio não conta.

Por isso ler e escrever, consequentemente, acabou fazendo parte da minha vida. Quanto mais eu lia, mais eu tinha vontade de escrever e assim o meu campo de visão se ampliava. Por isso escolher jornalismo foi inevitável, mas não caio no clichê de falar que foi o jornalismo que me escolheu, mas sim as minhas escolhas e o meu repertório de vida que me levaram a esse caminho.

Mas jornalismo está longe de se limitar à leitura e à escrita. Um dos motivos para escolher essa profissão foi a eterna curiosidade de saber sobre tudo e conhecer o maior número de pessoas e de histórias. Assim eu teria tudo, menos rotina e tédio. Eu poderia me afogar no meio de uma avalanche de informações e jamais reclamaria. Quanto mais melhor, e até agora essa máxima está valendo e fazendo valer a pena.

Seja pelo texto escrito num jornal, num blog, num muro ou ouvido na rádio ou na televisão o que sempre me norteou foi destacar o que ninguém vê. “Fazer” notícia. Fazer diferença. Simplesmente fazer.

E no meio de tanta comunicação, interesses e afazeres, não pude escapar do design gráfico. Desenhar, pintar, colar, criar, reinventar, criar espaços e se libertar. Soa utópico, e talvez seja. Por isso sempre me inclinei às letras, afinal esse é o meu verdadeiro lugar. O design é só um vizinho, daqueles que batem na porta com a desculpa de emprestar uma xícara de açúcar, para serem lembrados.

Sempre quando falo desse vizinho as pessoas fecham a cara e não se conformam com a minha “interação social”, sendo eu uma legítima curitibana. Pura bobagem. Para mim, minha casa e minha vizinhança se completam, porque tudo é comunicação e se o jornalismo tivesse mais interesse na influência que o design tem sobre as pessoas, ele poderia ser muito diferente do que é hoje. A questão da homogeneidade e da falta de mistura soa deliberadamente rotina tediosa - gostosa como água morna.

Por isso acredito que falta espaço para o novo, porém na minha (até o momento) curta carreira como comunicadora, notei que fazer diferente é defeito e aquele que carrega essa bandeira deve ser decapitado em praça pública. Também ouvi que devo seguir a maré, mas nunca acreditei nisso. Nunca concordei com o minimalismo de Mies Van der Rohe e sempre defendi que mais é mais e o contentamento acrítico da realidade, seja ele profissional ou não, leva a uma inércia que nunca fez parte de mim.

Mesmo quieta, sou um turbilhão de pensamentos. São tantos que preciso escrever para me libertar. Chega a ser um processo de catarse, terapia no estado mais puro. E não aponto esse ato como meramente literário; ele é muito jornalístico, porque desde que comecei a escrever, tenho essa necessidade de revelar, opinar e não me esconder atrás do que eu faço.

Com qualidades e defeitos, sou uma colcha de retalhos feita pelo tempo e pelas possibilidades que me foram dadas. E é assim que contemplo minha vida: olhando não apenas pelo lado de fora, mas entremeando experiências ao longo dessa viagem.